Sanovicz: “Nesta questão tarifária para Natal, temos um problema. Mas ele é nacional e nós precisamos nos unir para resolvê-lo”

Um dos temas mais palpitantes do setor turístico potiguar foi abordado na tarde da sexta-feira, 29, na primeira palestra do 10º Fórum de Turismo do RN, realizado no Centro de Convenções de Natal. O presidente da Associação Brasileira da Empresas Aéreas (Abear) – entidade que representa quase 99% do mercado -, Eduardo Sanovicz, abriu o evento sob grande expectativa e com a árdua missão de trazer justificativas plausíveis para o fato de Natal ser hoje um dos destinos mais caros e com uma das malhas aéreas mais restritas do país.

Segundo um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN) – divulgado em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do RN recentemente – os voos originados em alguns dos principais polos emissores de turistas do país – como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília -, são invariavelmente mais caros para Natal do que quando comparados com destinos como Recife, Fortaleza e João Pessoa. De acordo com os números, as passagens para a capital potiguar são entre 46% e 217% mais caras do que para os destinos vizinhos.

 “Na hora que uma pessoa de São Paulo vem a Natal, com um preço mais alto na passagem, a diferença está sendo bancada pela hotelaria e pelos demais serviços, como uma forma de tentarmos manter competitivo o destino. É uma transferência de renda direta de toda a população do Rio Grande do Norte para os cofres da companhia”, afirma o coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN, George Costa.

Em sua palestra – que teve como tema “O RN vai decolar, como incrementar a malha aérea para Natal” – Sanovicz começou pedindo “desculpas por ter demorado tanto a vir aqui”. Ele disse ainda que “há um problema na malha do RN”, e que os potiguares têm razão em cobrar reciprocidade à redução de impostos para o querosene de aviação”. A redução (de 17% para 12%), foi implantada há três anos e já custou cerca de R$ 32 milhões aos cofres públicos potiguares de acordo com a própria governadora Fátima Bezerra.

Mas, dito isto, a palestra de Sanovicz trouxe pouca informação prática e chegou a ser frustrante. Para ele, a grosso modo, a questão dos preços das passagens aéreas para Natal, é pura e simplesmente mercadológica. “O setor aéreo trabalha sobre um pilar de três bases: liberdade tarifária, regulamentação dentro das regras internacionais e eficácia da cadeia produtiva”, destacou ele para emendar: “Desde 2002 se pagava de tarifa média no Brasil de cerca de 739 reais. Em 2018 esta tarifa média caiu para pouco mais de 360 reais. Isto foi possível graças à liberados de mercado e ao fato de que o número de passageiros quintuplicou neste período, atingindo cerca de 102 milhões de passageiros por ano no país”.

O presidente da Abear tentou convencer a plateia de que a questão tarifária em Natal é fruto de um “contexto de queda de passageiros e desequilíbrio entre oferta e demanda que remonta a 2015 e impactou todo o país”. Ele disse ainda que 60% dos custos das empresas aéreas são dolarizados, portanto, sensíveis às variações cambiais. Mas, é porque Recife, João Pessoa e Fortaleza têm tarifas menores que Natal?

Segundo Sanovicz, para começar esta é uma meia verdade. “Se alguém entra em um site e faz pesquisas em dez datas ele tem um resultado que pode apontar isso. Mas nós temos dados da Anac que são mais que uma pesquisa, são uma auditoria, já que consideram todas as passagens oferecidas. Segundo estes dados, em 2018, a tarifa média na Paraíba foi de R$ 467,40 ou enquanto que a do RN foi de R$ 455,65”.

Diante disso Sanovicz finalizou: “Se temos destinos que acabam sendo mais competitivos que Natal, temos um problema. Mas precisamos enfrentá-lo juntos. Aumentar o ticket médio de turista, manter ele aqui mais dias, diversificar polos emissores. Tudo isso fará o mercado se mexer e rever a malha, Aí, sim, as tarifas caem de maneira natural”.

Nunca é demais lembrar que o alto custo para se chegar a Natal impacta em menos 52 atividades que estão direta e indiretamente ligadas ao turismo. Mesmo com um amplo Centro de Convenções, com capacidade para 12,5 mil pessoas, e 50 mil leitos na rede hoteleira potiguar, o parlamentar entende que a melhor forma de se fomentar a atividade turística, nesse momento, é buscar a redução no valor das passagens, uma vez que hoje as tarifas de hotelaria e de receptivos na cidade precisam se manter em valores extremamente baixos para tentar compensar a falta de competitividade no custo das passagens.

Aeroporto

O superintendente do Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, Ibernon Gomes, também tem participado do debate sobre o tema e feito questão de informar que o terminal não tem qualquer influência negativa com relação às altas tarifas cobradas pelas empresas para passagens com destino a Natal. De acordo com ele, a tarifa cobrada no aeroporto é a mais barata do Brasil, custando R$ 22,21, enquanto a de João Pessoa é de R$ 25,89. Apesar disso, a quantidade de voos é pequena e o consórcio Inframérica é o principal interessado na retomada do crescimento nos voos.

“O aeroporto Augusto Severo recebia 2,6 milhões de passageiros por ano, enquanto nós, com uma estrutura muito maior, recebemos 2,4 milhões. Estamos abertos para dialogar e colaborar da melhor forma possível para que o cenário mude”, explicou Ibernon Gomes.

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