Os meios de hospedagem e os protocolos de segurança sanitária do COVID.

Por: Louise Matias – Coordenadora dos cursos do segmento de turismo no Senac RN

É seguro dizer que a maioria dos hoteleiros sabe que a vida não regressará à forma como estava até fevereiro de 2020. Começam a surgir previsões de reabertura dos negócios e esta será provavelmente gradual, realizada com observação do risco e irá, seguramente, incluir muitas restrições e definições do espaço individual.

É necessário estar preparado e começar desde já a elaborar planos para cada departamento do hotel, baseados nas informações disponíveis e em possíveis ações a serem elaboradas por cada negócio. Quanto mais rápida for a resposta e mais pensamento crítico for utilizado, melhor o resultado. Quero deixar aqui informações e uma lista de ações para auxiliar na adequação dos procedimentos operacionais dos meios de hospedagem.

O isolamento social será suspenso, mas o distanciamento social não, portanto alguns ajustes serão necessários dentro das equipes.

Orientações gerais à equipe:

  • Criar um processo de higienização na chegada ao hotel;
  • Todos os dias o uniforme deverá estar limpo e higienizado;
  • É recomendado que no início e fim do expediente o colaborador realize a limpeza das áreas expostas do corpo, higienize as mãos (lavar e aplicar álcool gel), e troque de roupa;
  • Evitar o contato físico entre eles (abraços, apertos de mão). Criar novas formas de se cumprimentarem;
  • Relembrar diariamente todas as medidas preventivas em casa, no transporte público e no trabalho;
  • Reforçar a rotina de higienização das mãos (lavar com água e sabão e aplicar álcool gel);

Governança:

Primeiramente é preciso compreender que limpeza e higienização são processos diferentes. A limpeza é a atividade que remove sujeiras visíveis aos olhos, já a higienização/desinfecção é um processo físico/químico capaz de eliminar a maioria dos organismos invisíveis, causadores de doenças.

Existem alguns fatores que influenciam na eficácia da higienização/desinfecção, são eles:

– Solução desinfetante com ação ineficaz (mal diluído ou diluído a mais de 48h);

– Temperatura, PH, ação mecânica e tempo;

– Limpeza prévia mal executada;

– Tempo de exposição ao desinfetante insuficiente.

Portanto limpar e higienizar são processos separados e complementares, ou seja, um não ocorre sem o outro e realizáveis desde lavagem e desinfecção das mãos até superfícies, materiais e tecidos.

Alguns ajustes recomendados:

  • Caso ainda não seja padrão, adotar produtos de limpeza e higienização de linha profissional por terem ação mais rápida, eficaz e garantida que os produtos domésticos;
  • Para os hóspedes disponibilizar álcool gel próximo aos elevadores, corredores de circulação, áreas comuns, recepção, entrada do restaurante;
  • Disponibilizar álcool gel nos carrinhos das camareiras e serviços gerais;
  • A limpeza e desinfecção diária das unidades habitacionais ocupadas precisará ser mais criteriosa: a recomendação é que seja realizada diariamente e de preferência que o hóspede não esteja dentro da UH.
  • Para o processo de higienização de unidades habitacionais para entrada de novo hóspede é recomendado que seja feito em três etapas: descontaminação do banheiro (processo químico), limpeza e higienização do quarto, limpeza e higienização do banheiro. Lembrando sempre de higienizar detalhes como controles, telefones, interruptores, maçanetas, etc.
  • Realizar treinamento prático mostrando como funcionam os processos de segurança sanitária para toda a equipe, de todos os setores do hotel, assim todos podem informar caso questionados;

Recepção:

  • Ver a viabilidade de check-in eletrônico antes da chegada e que nele conste uma declaração informativa de prevenção ao COVID-19 a ser lida com a opção de “Concordo” por parte do cliente;
  • Ver a possibilidade de adoção do express check-in como procedimento padrão caso o check-in online não seja viável;
  • Pensar na inclusão de um informativo das ações e responsabilidade de prevenção ao COVID-19 a ser assinada no Express Check-in;

F&B e Restaurante

  • Idealizar novos procedimentos de recepção de mercadorias – um local onde facilmente poderá entrar contaminação;
  • Contatar os fornecedores e discutir formas ativas de cooperação;  
  • É recomendado delimitar ocupações máximas por horário de serviço;
  • Reforçar limpeza e higienização de mesas, cadeiras, buffet, bancadas e carrinhos;
  • Os colaboradores de cozinha e A&B terceirizados deverão seguir os mesmos procedimentos de prevenção determinados aos colaboradores para entrar e/ou permanecer no hotel;

Pensar, organizar e publicizar uma nova estrutura de processos do hotel é fundamental na promoção de ações a curto prazo que minimizem o impacto da pandemia e do que será o “novo normal”.  Adaptar-se constantemente ao contexto, treinar e qualificar as equipes será crucial na sobrevivência do negócio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *