Especialista projeta futuros para Turismo pós covid-19

No dia 29 de maio, a Braztoa realizou o quinto e último encontro semanal do mês de maio para discutir cenários para o Turismo global pós covid-19. Participaram do encontro  Ian Yeoman, futurologista especializado em construir cenários para o Turismo e professor da Victoria University of Wellington, da Nova Zelândia, e participação do editor-chefe da PANROTAS, Artur Andrade, a professora do Laboratório de Estudos em Sustentabilidade e Turismo da Universidade de Brasília (LETS/UnB), Jaqueline Gil, e o presidente da Braztoa, Roberto Haro Nedelciu. 

O professor, Ian Yeoman, citou as tendências que desacelerarão após a crise, como busca por experiências radicais, queda do respeito por governos e menor materialismo. Yeoman afirmou que a pandemia está mudando os valores e comportamentos das pessoas, que tenderão a buscar simplicidade, Turismo familiar, segurança e viagens curtas. 

Estas oportunidades, inclusive, configuram como as tendências que dominarão pós covid-19. Para o especialista, as pessoas vão buscar por segurança e isso levará a uma crescente de viagens curtas e locais, focadas na família, e que permitam o exercício de hobbies como pesca e fotografia. Neste sentido de buscar a simplicidade, destinos de natureza terão alta, com busca por estar em locais abertos e com pessoas locais, após passar muito tempo confinado em áreas urbanas. E o Turismo familiar também será um dos destaques, já que muitas pessoas foram afastadas de suas famílias durante a pandemia e quando normalizar vão querer vê-las novamente. 

Considerando essas tendências e oportunidades, o professor desenhou quatro cenários diferentes baseados em filmes. O primeiro é baseado no filme Podres de Rico (Crazy Rich Asians) e configura o que o setor deseja no momento: recuperação. O cenário é pautado pelo lema “viva mais, tema menos” e conta com a eliminação ou controle do vírus e uma volta da demanda por viagens. 

Um segundo cenário seria pautado no episódio de Star Trek, Este Lado do Paraíso (This Side of Paradise), este cenário projeta uma transformação do Turismo e parte como o desejo de alguns do setor: repensar o formato. Nesse novo modelo, que é um pouco utópico, há o desejo de redesenhar o Turismo com foco em comunidades, em cenários sustentáveis e no apoio ao comércio local. 

O terceiro cenário baseado no filme Contágio (Contagion) e representaria uma estratégia de fuga para o setor. Neste cenário, há uma queda substancial da chegada de turistas estrangeiros por um forte protecionismo e individualismo das nações. Seria o fim do Turismo como conhecemos. 

O quarto e último cenário é pautado no filme The Colony de 1995 e projeta uma transição do Turismo. Nesta situação, conviveríamos com o vírus e ele viria em ondas, sem ser erradicado. Assim, seriam comunidades fechadas, como condomínios, mas entre países, como as que já estão sendo aplicadas entre Austrália e Nova Zelândia, e Dinamarca e Noruega. Este cenário, que segundo o professor é o que pensamos que vai acontecer, construiria um foco maior no Turismo local e em uma economia autossuficiente. 

Perguntado por Artur Andrade se seria o fim das viagens de longa distâncias, das viagens exóticas, o professor afirmou que “tudo dependerá do cenário. Nos próximos dois anos, é provável que o Turismo seja focado em viagens curtas e regionais. Os viajantes vão buscar segurança”. Na opinião do especialista, viagens de curta distância e para destinos de natureza ganharam força por unirem segurança e simplicidade. 

Fonte: Panrotas

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